Tuesday, April 25, 2006

imperfetto

non ancora finito
imperfetto credo

ma forse ha condizioni
essere un sguardo perfetto
cerca imperfetto

di capo a lavore
bisogna sapere ecco
su perfetto imperfetto

tra roma

Passou Pasolini num olhar inseguro
passou por tantos muros
parou, estancou, fincou.

ressoou fotografias
bianca e nera
tra roma di auguri tanti
tra divenire

E Fellini por onde vai?
desenhar zampanos e gelsominas
tra divenire.

creazione di concetti, costituizione di problemi

fare come lui non significa
affato essere un suo discepolo
significa piuttosto prolungare
il suo lavore.

Gilles Deleuze su Spinoza.

Saturday, November 26, 2005

porta

É favor deixar, rastros de horizontes e cantos
Em bailar afetos
É favor deixar, o mar e prantos
Profundas cavernas
Sectários desejos.

É favor deixar, a porta aberta
Pra ouvir Richard Wagner
É favor deixar, de passar em seitas
Profundas cavernas
Sectários desejos

É favor deixar, xilogravuras
E tantas outras auguras
É favor deixar, cicatrizes.
Profundas cavernas
Sectários desejos.

Tuesday, October 25, 2005

ares

ando, andas, andares.
por mais que tentares
ares
por mais que achares
ares
vôo,voas, voares...

Monday, September 19, 2005

idos Mar e mares

Absoluto em mim?
Variações.
Sem os vôos e sem os perdões.
Afeto desigual, conexões.

Por tantos desvios.
Há de ser o singrar.
Absoluto em mim?
Navios.

Mares que deixam azuis.
Variações.
Sem o ir e vir.
Trilhas como todas possíveis maquinações

Imersos em tamanhas manhãs.
Que me carregam em postiças armaduras
Sou entanto, ternuras.
Cascos enferrujados tingidos de sal.

Friday, September 16, 2005

Harth em Berlim (música para personanongrata)

Um mero Homero
Em dia escuro, sobre as calçadas...

Harth caminha em Berlim
Sob os olhos futuros dos Anjos
Sob a melancolia da História
Ele vive na Rua de Mão Única
Ele fulgura o tempo de agora

Atento aos limites, vê o sol de Josué
Traça o discurso
Na sua Memória entre linhas
Na dobra da esquina

Harth quer ser Daniel
Mas é Zaha, mas é Zaha, mas é Zaha!!!!

Seus pés são estilhaços
E como uma densa luz
É o sopro do messias
É a esquina, é a dobra
É o Postdamer Platz
É o coração da velha cidade

Harth quer ser Daniel
Mas é Zaha, mas é Zaha, mas é Zaha

Ele vê o narrador
Nos prédios caídos de agora
Ele chora a História
Ele é mais que o muro
Cortina, escuro

Como andarilho, como o percurso...
Ele quer ser Daniel
Mas é Zaha, mas é Zaha, mas é Zaha!!!!

Constelação

Minhas asas estão prontas para o vôo
No meu discurso que beira o nada
Como o caminho que se traça em linha reta
Por meu silêncio, em meu segredo, em meu impulso
Quando desejo permanecer no tempo do andarilho do universo
Talvez regresso, como Roma Resurreta, interrompida
Por meu silêncio,em meu segredo, em meu impulso
Minhas asas estão prontas para o vôo
Como o relógio que apedrejo naquela esquina
Que beira o nada, como o caminho que se chega em toda meta
Vejo o tempo, vivo ultrapassando barreiras, lâminas e traçando o labirinto
Por meu silêncio, em meu segredo,em meu impulso

Estou preso, intenso como o corcunda do xadrez
O fumador de narguilé exposto ao tempo
Venho ver o anjo,que me maltrata no seu tormento
Por meu silêncio,em meu segredo, em meu impulso
Minhas asas estão prontas para o vôo
E me conformo pelo cachimbo de Matisse
Em verso continuum, progresso
Mas não esqueço o tempo, vivo
E permaneço...
Minhas asas estão prontas para o vôo
No meu discurso que beira o nada
Como o caminho que se traça em linha reta

Thursday, September 15, 2005

das palavras ...

O Real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.
Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

Wednesday, September 14, 2005

Há, não há.

A vida é uma tapeçaria de versos
Véu que roça
O rosto das vestáis.

Vestes dos desejos únicos
Dentre os demais

A vida é um recôndido universo
O avesso dos sensos
Anversos múltiplos

Pura, como o flanar
Infiltrada por incensos
A vida é minúscula.

Inventos

Tempos, devassas correntes.
Impérios singulares
Plurais olhares

Tempos, escassos ventres.
Imanências, amares
Devires espaços

Tempos, lisos.
Inventos.

Avenida Contorno

Contorno, que se lança ao mar
Contorno roça a terra de sal
Bebe o caminho dos passantes.
Embriaga os olhos amantes

Contorno, que se mostra no espelho.
Contorno, ladeiras abaixo.
Bebe o asfalto quente
Embriaga toda essa gente.

Contorno, a ver navios.
Contorno um rosto ao sol.
Bebe o canto do pássaro.
Embriaga meus laços.

Contorno.
Contorno, desvio.