Wednesday, September 07, 2005

Outros Tempos

Quero por muito, escrever de um golpe só.
Escrever como um comedor de teclados,
Como um devorador de vírgulas,
Como um senhor que cata palavras esquecidas, que um dia reinaram nas idéias perdidas, Nas vagas manhãs de infância ou de páginas lidas.
Lido, com tudo que me cerca, como se precisasse varrer a casa, enxergar na poeira das camadas pisadas por mim, algo que me traga.
Trago uma fumaça de certezas, por estarem incertas, ou talvez certas de incertezas.
Privo o que me rodeia, por não compreende-lo , ou talvez apenas não tê-lo, ou talvez não tê-lo por coragem não tida.
Sou um esboço de desencontros de eus, eus que me clamam, eus que sacodem surdinamente meus ouvidos calados, eus que se bebem de vasilhames reciclados com a mais bruta poesia.

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